Fim de ano: tempo de agradecer

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Chegou, mais uma vez, o fim do ano e a entrada de um novo ano. 2018 terminou, e nós podemos então, diante de Deus, agradecer todos os benefícios a nós concedidos nesses 365 dias que findaram. Tantas são as graças, as bondades, as misericórdias de Deus que acontecem na nossa vida. Não podemos ser ingratos, devemos estar sempre à disposição de agradecer a nosso Senhor tudo o que recebemos. Vejamos que o recebido é muito maior que aquilo que nós percebemos. Deus nos dá coisas que nós sabemos, vemos, constatamos, mas muitas coisas Deus nos dá no ocultamento da sua misericórdia.

Tudo isso que vemos corriqueiramente Deus nos dá e nós recebemos como algo natural. Porque Ele é Pai misericordioso e olha para cada um de nós com olhos de bondade, de extremo amor. Portanto, o primeiro sentimento que deve invadir o nosso coração ao final de um ano, é o sentimento de gratidão. Mesmo que tenhamos passado por momentos difíceis, a gratidão anda em primeiro lugar, porque tudo o que temos vem do alto. Agradecer é um dever sagrado, quem não agradece é uma pessoa irresponsável, pois sendo ingrato ofende a pessoa que o amou.

Depois, em um segundo momento, nós devemos oferecer a Deus os sacrifícios, pois é natural que no correr de 365 dias eles apareçam. Há anos que passam de forma certamente tranquila, com poucos sacrifícios, mas há outros em que a gente enfrenta dificuldades, problemas sérios, e, às vezes, desafios que quase nos fazem perder a confiança, a esperança. Isso não deve acontecer nunca em um coração cristão.

Nós amamos e confiamos em Deus, sabemos que não há nenhum poder do mal que possa vencer o bem no coração daquele que ama a Deus. Mas os momentos difíceis, são de fato, uma provação para nós. Se houver, na vida da sua família, qualquer dificuldade passada neste ano que terminou, é momento de oferecer a Deus, em união com o sacrifício de Cristo na Cruz. Cristo morreu para dar sentido às nossas cruzes. Elas são pequenas diante da grande cruz de Cristo.

Santa Teresa de Ávila nos ensina: “Nada te perturbe, nada te assuste, nada te espante, tudo passa, só Deus permanece”. Assim é que devemos olhar para os problemas que possam ter acontecido no ano que terminou.

Terceiro sentimento ao final do ano, preparando para a entrada do novo ano, é o sentimento de perdão. Nós queremos ser perdoados por Deus, por nossos pecados. A pior situação é a reincidência, a pessoa quer se libertar de um mal, mas, às vezes, não consegue, por várias circunstâncias. Aqui, vem a força do alto, nunca desesperar, nunca perder a paciência consigo mesmo, pois Deus é mais forte. E se nós rezamos, imploramos a Deus, Ele nos faz vencer o mal.

O sentimento de perdão é algo que devemos expor diante do altar de Deus. Quem não erra? Cristo instituiu o sacramento da penitência e da confissão. Aliás, Ele fez isso imediatamente após sua ressurreição. Nos deixou na terra a capacidade de perdoar e de pedir perdão. E mais, a certeza de que Deus, olhando o coração da pessoa que age com sinceridade e quer se libertar do mal, não a abandona, mas puxa para cima, para o alto e dá a ela a esperança da vitória.

Pedir perdão não é vergonhoso. Vergonhoso é permanecer no erro. Pedir perdão uma, duas, três, sete, setenta vezes sete, como Nosso Senhor ensinou a Pedro é um ato de confiança e de esperança. Deus nos ajuda, nos liberta.

No entanto, assim como nós queremos o perdão de Deus, devemos também perdoar o irmão. Quando o irmão me ofende, ainda que seja gravemente, se ele se arrepende, se ele dá sinais de que deseja o nosso perdão, devemos de fato estar dispostos a fazer isso, a perdoar. Importante lembrar que perdoar é esquecer a ofensa cometida contra nós.

Há pessoas que ficam guardando sentimento, como se pudessem ter o direito de, em determinado momento, se vingar. Não. Não há momento em que Cristo prometeu vingança. Pelo contrário, no alto da cruz, Ele nos deu a lição do perdão rezando pelos seus algozes: “Pai perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. Essa lição de Jesus é importante, principalmente nesses momentos de transição entre um ano que termina e outro que começa.

Confessar a Deus os seus pecados, inclusive diante do sacramento da confissão, com um sacerdote. Receber a absolvição, ter a certeza de que Deus o perdoou. Mas também, deixar livre o coração de qualquer tipo de ódio, ou desejo de vingança que você tenha, contra qualquer irmão que o possa ter ofendido. A melhor coisa para entrar no ano novo é ter o coração em paz.

 

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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