Catedral Metropolitana

Funcionando como a sede e matriz do catolicismo da Arquidiocese, a Catedral Metropolitana de Juiz de Fora está situada no centro da cidade. A localização também é conhecida como Praça Dom Justino, que foi o primeiro bispo desta Igreja Particular e comandou a Diocese de Juiz de Fora por 33 anos. Juntamente com mais nove igrejas, a Catedral integra a Paróquia Santo Antônio, que também é o padroeiro do município de Juiz de Fora.

As origens da cidade de Juiz de Fora se encontram no século 18, emergentes da devoção a Santo Antônio de Lisboa, com a construção de sua primeira capela em terrenos da fazenda de Antônio Vidal, que requereu, em 1741, licença para a edificação. A capela ficou, por ordem eclesiástica e régia, filiada à Paróquia de Nossa Senhora da Glória, de Simão Pereira, no correr do Caminho Novo, que ligava o Rio de Janeiro a Ouro Preto. Sendo a fazenda de Antônio Vidal vendida ao Alferes Antônio Dias Tostes em 1812, e estando a primeira capela em precário estado de conservação, este, com a devida autorização, construiu uma nova capela no local conhecido como Morro da Boiada, ao redor da qual se desenvolveu o povoado. Em Visita Pastoral, no ano de 1824, por delegação do Bispo Diocesano de Mariana, Dom José da Santíssima Trindade, o Padre Manuel Rodrigues da Costa dá notícias sucintas sobre a “capela de Santo Antônio das Boiadas, a quatro léguas da Matriz, e ainda se trabalha na sua perfeição, nova e em bom local”.

Documentos de 1891, constantes do Arquivo Público Mineiro, revelam uma população de 1.419 habitantes no então povoado de Santo Antônio da Boiada, com escola, comércio e outros melhoramentos.

Em 8 de março de 1844, o Governo Provincial emite provisão para que seja construída “nova capela de Santo Antônio do Juiz de Fora”. Trata-se, portanto, de uma terceira capela, mais ampla, construída com novas doações de fiéis devotos que possibilitam a ampliação do patrimônio à margem da Estrada Geral, hoje Avenida Rio Branco, onde se encontra a atual Catedral Metropolitana. Em 31 de maio de 1850, foi criada a Freguesia de Santo Antônio do Paraibuna, elevando o povoado à condição de vila, sendo aquela capela transformada em Matriz paroquial. Em 1856, recebe o foro de cidade. Pelos esforços do primeiro Vigário, o Padre Tiago Mendes Ribeiro, que dirigiu a paróquia até 1890, a nova Matriz é construída a partir de 1866.

Em 1878, já se encontrava em uso a ampla igreja, edificada com arte e beleza, capaz de acolher em seu recinto a crescente população com o desenvolvimento agrícola, industrial e urbanístico local. Em 1886, chegaram altares para a nova matriz, vindos do Rio de Janeiro, antes pertencentes à antiga igreja da Candelária, que foram doados à Paróquia de Juiz de Fora.

De 1900 a 1925, a paróquia foi dirigida pelos padres da Congregação do Verbo Divino, ocasião em que o prédio recebeu melhoramentos.

Em 1º de fevereiro de 1924, foi criada a Diocese de Juiz de Fora, sendo a Matriz elevada à condição de Catedral, tendo o prédio recebido, a seguir, reformas por iniciativa de Dom Justino José de Santana, o primeiro Bispo.

Nos anos de 1940, Dom Justino José de Santana idealiza a construção de uma nova Catedral, em estilo neogótico, nas proximidades do largo do Riachuelo, com imponente vista para todo o percurso da Avenida Rio Branco, projeto este que não se efetivou por vários motivos, sendo empreendida, a partir de 1950, ampla reforma, ampliação e embelezamento da antiga Matriz, conservando a fachada com duas torres, à qual se acrescentaram novos elementos arquitetônicos e decorativos. A obra se materializou com acréscimo da cúpula, dos transeptos, dos corredores e altares laterais, pinturas artísticas parietais incluindo significativa decoração da cúpula com cenas da glória de Santo Antônio e outros motivos históricos. A reconstrução, com modificações do projeto inicial no presbitério, somente foi inaugurada em 1966, com o 2º Bispo e 1º Arcebispo, Dom Geraldo Maria de Morais Penido, de forma ainda não adequada à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, encerrado em 1965. Certamente, esta adaptação aguardava a solidificação da referida reforma conciliar, o que, após 50 anos, já se pode verificar.

No início dos anos 2000, começaram as obras de revitalização na Catedral Metropolitana de Juiz de Fora, que abrangeram as reformas dos telhados, da fachada, da sacristia, da recepção, dos salões e das 45 salas do prédio administrativo. Logo depois vieram a implantação de sistemas de prevenção de incêndio e de segurança (como alarmes e câmeras), a construção da nova subestação de energia, informatização do serviço administrativo e pastoral e o gradeamento em torno da igreja.

A partir de 2010, foram realizadas obras no interior da igreja para criteriosa adequação às normas litúrgicas implantadas pelo Concílio Vaticano II, e para garantir a acessibilidade. O piso foi substituído por peças de granito nobre, as Capelas da Ressurreição e do Santíssimo foram construídas e inauguradas, foram implantados o sistema de ar condicionado e os novos equipamentos para a melhoria da acústica da igreja, novo sistema de iluminação interno, além do novo presbitério, novo altar e novo ambão.

Em 2015, foi finalizada a reforma da nova cúpula, que ganhou linda pintura artística com cenas da vida de Santo Antônio e da glória de Maria. Em dezembro de 2015, foram inauguradas pintura e iluminação externas e, em 2016, foi iniciada a obra para a revitalização da pintura artística interna. A finalidade dessa intervenção é estabilizar e reintegrar as obras, além de recuperar o esplendor que as pinturas exibiam durante meados do século XX. A conclusão da pintura interna da igreja está prevista para o ano de 2019.

*Texto baseado em informações do Catálogo
“Juiz de Fora: nossa história é de Fé, nossa Igreja tem arte” (2011)

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