Ano Novo: Confiança, Paz e Esperança

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Ao iniciar um novo ano, no dia primeiro de janeiro, Dia Mundial da Paz, celebra-se grande louvor a Maria, aclamando-a ‘Mãe de Deus’. Tal festa mariológica é celebrada, no Oriente, no dia 18 de dezembro, sete dias antes do Natal do Senhor. A origem histórica desta liturgia se encontra nos primeiros tempos do cristianismo, quando os cristãos quiseram ressaltar a origem divina de Cristo, Senhor da Paz que veio trazer a salvação para todos os humanos.

Hoje, os cristãos continuam a reconhecem este título, reafirmando sua crença indefectível na divindade de Cristo, nossa esperança diante dos desafios do tempo. Os louvores a Maria com tal título em nada diminuem o primeiro lugar que cabe a seu Filho Jesus, e nem a apontam como se fosse deusa, reafirmando que a mãe do Senhor é criatura humana com especialíssima missão.

A festa, que encerra a oitava do Natal no mundo latino, tem como objetivo responder à pergunta sobre a identidade do Menino que nasceu em Belém. É Deus e Homem verdadeiros e dessa forma, na união indissolúvel das duas naturezas, foi gerado no seio virginal de Maria. Para solução de qualquer dúvida sobre esta verdade, reuniu-se o Concilio Ecumênico, em Éfeso, no ano 431, quando o grande teólogo São Cirilo de Alexandria defendeu, com maestria, o direito e o dever dos cristãos darem a Maria o título de Teotòkos, em grego, Dei Para, em latim, que significam, exatamente, Mãe de Deus. Desta época, se supõe com certeza suficiente, surge a segunda parte a oração da Ave Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte”.

Ao iniciar o ano de 2019 no Brasil, com a posse de novos governantes, seja colocada nossa nação aos pés de Maria, sua Padroeira, como fiel intercessora, da maneira que fez em Caná da Galileia. Ao invocar a Mãe do Senhor que, por desígnio de Deus, nos trouxe o Príncipe da paz, entremos neste novo tempo como vencedores que destroem a desunião e eliminam as divisões inúteis. Que os que se alegram com o novo governo saibam viver com descontração e esperança o momento brasileiro. Que os que perderam não se deixem levar pelo ódio e pela imaturidade humana nas suas reações.

Com espírito religioso, como é peculiar dos brasileiros, sejamos unidos, de coração, ao Papa Francisco que se fez presente ao ato solene da posse do novo Presidente da República, através de legado especial que, com seu sorriso largo, deu à nação brasileira o sinal de como deve ser o comportamento do cristão frente à busca do bem comum, com espírito desarmado e confiante.

Que os que confiam no novo modelo ajam com fraterna colaboração e não sejam ofendidos pelos perdedores, e nem os ofendam. Todos respeitemos a lei da democracia que reconhece a vitória aos que obtiveram a maioria dos votos. Que os que se sentem aliviados com a superação do regime passado ajudem a construir a nação em paz em busca do progresso. Que os que perderam não se deixem levar pela falta de patriotismo e pela ausência de apoio aos atos bons dos novos governantes.

Por fim, que sejamos discípulos de Cristo no perdão e na concórdia, independentemente de partidos e opiniões políticas, suplicando proteção à Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, Senhora da Paz.

Afinal, ano novo pede vida nova. Neste início do ano e de nova governança, será sim de bom alvitre, elevar nossas preces em favor dos novos governantes para que tenham a luz necessária em todos os seus atos e em todas as suas decisões.

Que Deus esteja sempre em primeiro lugar, pois assim a pessoa humana, a família e a natureza serão sempre protegidas, amadas e respeitadas. Feliz 2019.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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